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Estava eu cá buscando coisinhas para ler e encontro que numa pesquisa de julho/2008, o INDEC (IBGE da Argentina) revelava que argentinos gastam no Brasil, em média, US$ 93,7 por dia. Isso representa um crescimento de 6,8% em relação ao mesmo período de 2007. Mesmo assim, está longe da média de gastos de brasileiros na Argentina: US$ 165,20 por dia, um aumento de 34,9% em relação ao período anterior e de 28,6% em média, segundo a mesma pesquisa. Argentinos ficam cerca de 10,6 dias no Brasil; brasileiros passam uma média de 7 dias em viagem na Argentina. Em menos tempo, gastam mais, a maioria em hotéis de 4 e 5 estrelas.
Esses números não se explicam somente com a lógica do câmbio: Brasil mais caro para os argentinos e vice-versa. Eles acabam gastando mais na Europa (US$ 125,6), nos EUA (US$ 106,7) e no resto do mundo (US$ 125) do que no Brasil: claro, tudo custa em euros ou dólares. Por sua vez, a Argentina pode até parecer muito mais barata para brasileiros, mas o fato é que nossos turistas aqui gastam mais do que aqueles provenientes de qualquer outra parte do mundo. Europeus são o que menos gastam (US$ 65,4) e ficam mais tempo por aqui (26,4 dias). Normal até certo ponto: tenta-se economizar por dia numa viagem mais longa; nós estamos mais próximos da Argentina, portanto podemos fazer viagens rápidas em feriados e nos dar algum ou outro mimo, certo?
Curioso é que europeus têm um poder aquisitivo bem superior ao nosso, especialmente munidos de euros ou libras. E brasileiro, em geral, odeia se endividar; então, se está comprado é porque está com bala na agulha. Já o argentino…
SÓ PRA LEMBRAR
Você não precisa gostar dela, muito menos do jeito de ela explicar economia. Mas nesse textículo, Miriam Leitão resume bem ao seu estilo (basicão do basicão) diferenças consolidadas entre Brasil e Argentina. O link é de maio passado, pré-crise financeira internacional. Alguém acha que o Brasil vai sofrer mais que o país vizinho? Chave do tamanho: para que tenham uma idéia, o volume de empréstimos que o BNDES concede é, sozinho, maior que todo o sistema financeiro argentino.
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4 responses so far ↓
1 Nadja // Nov 4, 2008 at 10:10 pm
Muito interessante seu texto… na minha opinião, muitas outras nacionalidades gastam menos com férias do que nós e aqui, no Brasil, nós não exploramos nosso turismo muito bem. E gostamos muito de agraciar nossos familiares, vizinhos, amigos, até cachorros com lembrancinhas de viagem… hahaha o que não é muito costume em outros locais.
Da Argentina só conheci “Puerto Iguazu” , quando fui a Foz visitar minha família, até pulseirinha azul e branca eu comprei lá hahahaha lindinha!!! hahaha
Beijoooos
2 cartasargentinas // Nov 5, 2008 at 1:42 am
Oi Nadja: estou pensando no que você escreveu… As coisas se mesclam, é um pouco de cada uma. Bem pensado isso de comprar presente pra um monte de gente ser um traço bem brasileiro… mas te garanto que se a pessoa em viagem não estivesse com dinheiro para gastar, não teria saída. Brasileiro ou não. Outras nacionalidades, por mais dinheiro que tenham, não têm esse hábito. Aí as razões seriam outras, as análises teriam de ser outras.
O Brasil pode explorar muito melhor seu turismo, tem um potencial enorme. O Brasil nunca se fechou aos turistas nem foi proibitivo a eles (com preços muito altos, por exemplo). Já a Argentina foi. Portanto, a indústria do turismo aqui foi pega de calças curtas com essa avalanche de turistas. Os próprios argentinos concordam que muita coisa aqui é uma roubalheira em comparação com o Brasil. “Roubalheira” é pagar por uma coisa que não vale; pagar muitas vezes mais aqui do que pela mesma coisa no Brasil. E com vários adicionais que eles mesmos dizem: o profissionalismo da indústria turística no Brasil, como o turista é tratado, a qualidade de bens e serviços etc.
Posso te dizer que a relação custo/benefício na imensa maioria das vezes no Brasil é muito melhor e por isso nosso país, além da capacidade turística atual, tem enorme potencial. Explora o turismo muito melhor que a Argentina, se compararmos só estes dois países. Então, com tantas variáveis favoráveis no Brasil, se os argentinos não gastam muito quando nos visitam é porque não estão podendo mesmo.
Até mais! Bem-vinda sempre.
3 Luiz Tavares // Nov 12, 2008 at 1:59 pm
Ludmilla,
Preciso de uma ajuda sua. Vou viajar mês que vem (dezembro) num cruzeiro para Buenos Aires. Mas me disseram que a saída do porto para quem vai pegar um taxi, é muito perigosa (assaltos).
Você com toda a sua sabedoria de Buenos Aires, poderia me informar se isto é verdade?
Grato
Luiz
4 cartasargentinas // Nov 12, 2008 at 8:13 pm
Oi Luiz,
Quanto à sua pergunta, meu principal conselho é não pegar um táxi na rua, ou seja, fora do porto de cruzeiros. Isso poderia realmente te causar uma dor de cabeça desnecessária. É uma região de porto, com contâineres e abandono, além de favelas por perto. Nesse sentido, nada lindo. De noite você pode imaginar o que rola, por exemplo.
Há táxis que entram ao terminal de cruzeiros e que são uma opção mais segura, porém mais cara que os táxis normais da cidade. Suponho que são autorizados pelo terminal. Há um quadro grande com os preços fixos das corridas desde o porto até diferentes destinos na cidade – ou seja, não corre o relógio. Geralmente, os valores são descritos em dólares e em pesos.
Ainda que eu não goste muito do fato de que ter restritas suas opções de tomar o táxi que você bem entender, vale a pena pagar mais e não correr o risco.
De canja: quanto a táxis em geral, evitar ao máximo os táxis na rua. Peça sempre por telefone com uma companhia de rádio táxis ou pedindo ao hotel (verifique se te cobram o serviço). Se não houver outra solução, prefira motoristas de mais idade e táxis de companhias como Premium e Aló Taxi, por exemplo. Não sei se hotel é seu caso, já que vem num cruzeiro. Mas essas são recomendações básicas e bom senso ao voltar ao porto.
Há que se perder o mito que muito brasileiro tem de que nosso país é mais violento que tudo e, conseqüentemente, leva a subestimar a violência em outros países. Turista, em qualquer lugar, é o alvo mais frágil. Buenos Aires em especial vem passando por uma onda de violência implacável, e é muito importante perguntar, ficar atento, dar ouvidos ao que te avisam. Todo truque que você imaginar no Brasil, pode imaginar em Buenos Aires e ainda agregar os truques locais. Desconfie de quem te disser somente mil maravilhas, aqui e em qualquer lugar. Se for só isso, não pode se verdade, tem que ser tendencioso. Graças às forças da minha natureza, não tenho talento pra isso.
Espero ter ajudado. Se ficou faltando algo, se tiver alguma outra dúvida, pode voltar a perguntar. Prometo um post sobre o tema. Obrigada pela visita e espero que você possa sempre voltar e comentar no site. Considere a opção de assinar o nosso Feed RSS.
Abraços!
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